Mariana Marins: BDRs e Stocks – Como investir em empresas estrangeiras direto da Bolsa brasileira

Investir em grandes empresas internacionais, como Apple, Amazon, Google e Tesla, sempre foi o sonho de muitos brasileiros. Por muito tempo, isso parecia distante: abrir conta em corretora estrangeira, converter moeda, lidar com tributações complexas e acompanhar o câmbio eram barreiras que afastavam o pequeno investidor.

Mas o cenário mudou. Hoje, graças aos BDRs (Brazilian Depositary Receipts) e ao avanço do mercado de capitais, qualquer pessoa pode se tornar “sócia” de gigantes globais — sem sair do Brasil.

Neste artigo, a especialista Mariana Marins, analista de investimentos com foco em educação financeira e mercado internacional, explica como os BDRs e Stocks funcionam, quais são suas vantagens, riscos e como utilizá-los estrategicamente em uma carteira diversificada.


1. O que são BDRs e por que se tornaram tão populares

Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) são certificados emitidos no Brasil que representam ações de empresas listadas em bolsas estrangeiras. Em outras palavras, eles funcionam como “espelhos” das ações originais.

BDRs e Stocks
BDRs e Stocks

Um BDR da Apple (AAPL34), por exemplo, reflete o desempenho da ação da Apple negociada na Nasdaq. A cotação do BDR varia conforme o preço da ação original e a variação cambial do dólar.

Até 2020, apenas investidores qualificados (com mais de R$ 1 milhão investido) podiam negociar BDRs. A partir de então, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) ampliou o acesso para todos os investidores — o que provocou uma verdadeira explosão de interesse.

Hoje, há centenas de BDRs disponíveis na B3, representando empresas dos Estados Unidos, Europa e Ásia.


2. Stocks: o investimento direto no exterior

Enquanto os BDRs são negociados na bolsa brasileira (B3), os Stocks são as ações originais, compradas diretamente no exterior, geralmente em dólares.

Para investir em Stocks, o brasileiro precisa abrir conta em uma corretora internacional, como Passfolio, Avenue ou Stake, transferir dinheiro em moeda estrangeira e lidar com a tributação americana.

A principal diferença entre investir via BDR e via Stock é a jurisdição:

  • BDR: ativo brasileiro, com regulação e tributação locais.
  • Stock: ativo estrangeiro, sujeito às leis e impostos dos EUA.

3. As vantagens dos BDRs

Mariana Marins destaca que os BDRs se tornaram uma das portas de entrada mais inteligentes para quem quer se expor a ativos internacionais com simplicidade e segurança. Entre as principais vantagens:

a) Acesso facilitado

Qualquer investidor, mesmo com poucos recursos, pode comprar um BDR pela sua corretora brasileira, como XP, BTG, NuInvest, Rico ou Inter.

b) Diversificação global

O investidor passa a ter parte do seu patrimônio exposto a diferentes economias, reduzindo o risco de depender apenas do cenário brasileiro.

c) Proteção cambial natural

Como os BDRs refletem o preço das ações em dólar, o investidor é protegido parcialmente contra a desvalorização do real.

d) Tributação simplificada

O tratamento fiscal é o mesmo das ações nacionais: lucro líquido até R$ 20 mil por mês é isento de IR.


4. Riscos e cuidados ao investir em BDRs

Apesar das vantagens, Mariana alerta que BDRs não são livres de riscos.

a) Exposição cambial

Se o dólar cair, o preço do BDR pode cair mesmo que a ação da empresa suba.

b) Liquidez limitada

Alguns BDRs têm baixo volume de negociação, o que pode dificultar a venda em momentos de alta volatilidade.

c) Taxas e variação de preço

Os bancos emissores dos BDRs podem cobrar taxas administrativas, e o preço nem sempre reflete 1:1 o valor da ação no exterior.

d) Risco de governança

Como o investidor não é acionista direto da empresa, ele tem menos direitos de voto e informação do que quem investe em Stocks.


5. Estratégias práticas com BDRs

Segundo Mariana Marins, os BDRs podem cumprir funções diferentes dentro de uma carteira, dependendo do perfil do investidor:

a) Perfil conservador:

Pode utilizar BDRs de empresas estáveis e lucrativas, como Johnson & Johnson (JNJB34), Coca-Cola (COCA34) ou Microsoft (MSFT34), buscando proteção cambial e dividendos consistentes.

b) Perfil moderado:

Pode mesclar empresas maduras com BDRs de empresas de crescimento, como Amazon (AMZO34) e Google (GOGL34).

c) Perfil arrojado:

Pode investir em BDRs de tecnologia emergente, como Nvidia (NVDC34) ou Tesla (TSLA34), focando em valorização de longo prazo.


6. BDRs vs. Stocks: qual a melhor escolha?

Mariana explica que não existe resposta única. O ideal é entender o objetivo do investimento:

CritérioBDRsStocks
Local de negociaçãoBolsa brasileira (B3)Bolsas internacionais (NYSE, NASDAQ)
MoedaReal (R$)Dólar (US$)
TributaçãoRegras brasileirasRegras estrangeiras
Facilidade de acessoAltaModerada
Diversificação cambialParcialTotal
Controle de impostoSimplesComplexo

Para quem está começando, Mariana recomenda os BDRs. Para quem já domina o mercado e quer exposição total ao dólar, os Stocks são a evolução natural.


7. Como escolher bons BDRs

A especialista ressalta que, apesar da facilidade, é preciso analisar a empresa subjacente antes de comprar um BDR.

Os principais indicadores que Mariana usa em sua análise fundamentalista são:

  • Lucro por ação (LPA)
  • Retorno sobre patrimônio líquido (ROE)
  • Margem líquida e operacional
  • Endividamento (Dívida/EBITDA)
  • Histórico de dividendos

Além disso, recomenda acompanhar relatórios trimestrais e as tendências setoriais globais.


8. O impacto da economia global nos BDRs

Os BDRs são diretamente afetados por eventos internacionais, como decisões de juros do Federal Reserve, guerras, recessões e mudanças no câmbio.

Quando o dólar sobe, os BDRs tendem a valorizar. Quando o dólar cai, o movimento pode ser o oposto.

Por isso, Mariana reforça que acompanhar o cenário macroeconômico é tão importante quanto analisar os balanços das empresas.


9. O futuro dos BDRs no Brasil

Desde a liberação pela CVM, o número de investidores em BDRs ultrapassou 1 milhão de CPFs.

Mariana acredita que, nos próximos anos, o Brasil verá uma expansão ainda maior, com novas emissões, maior liquidez e até BDRs de ETFs (fundos de índices internacionais).

Essa tendência reflete a maturidade do investidor brasileiro, que busca diversificação e rentabilidade global.


10. Dicas práticas de Mariana Marins para iniciantes

  1. Comece pequeno, mas comece. Invista um valor simbólico para entender o funcionamento dos BDRs.
  2. Prefira empresas consolidadas, com histórico de lucro e marca global.
  3. Acompanhe o câmbio — ele influencia diretamente o preço dos BDRs.
  4. Diversifique setores e moedas.
  5. Reinvista dividendos. É a base do crescimento exponencial no longo prazo.

Conclusão

Os BDRs e Stocks representam o passaporte do investidor brasileiro para o mercado global.

Com eles, é possível participar do sucesso de empresas que mudam o mundo, sem precisar enviar dinheiro para fora do país.

Como afirma Mariana Marins, “investir em BDRs é uma forma de colocar seu dinheiro para trabalhar em escala global — protegendo seu patrimônio e ampliando suas oportunidades.”

O investidor do futuro não pensa apenas no Brasil. Ele pensa no mundo. E os BDRs são a ponte entre o agora e o amanhã.


Referências Bibliográficas

  • CVM – Comissão de Valores Mobiliários. Resolução CVM nº 3/2020.
  • B3 – Bolsa de Valores do Brasil. Lista completa de BDRs disponíveis.
  • BlackRock, J.P. Morgan, XP Research. Relatórios de mercado e projeções globais 2024–2025.
  • Mankiw, N. G. Princípios de Economia. 9ª edição.
  • Damodaran, A. Avaliação de Investimentos: Ferramentas e Técnicas para Determinar o Valor de Qualquer Ativo.
  • Marins, Mariana. Análises e Estratégias de Diversificação Internacional. 2025.

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